“O autoconhecimento é o grande desafio do ser humano”, diz palestrante espírita

18/06/2018 19h47

Marlon Reikdal fala sobre o autonhecimento em seminário no final de semana. Foto: Aparecido Frota Marlon Reikdal fala sobre o autonhecimento em seminário no final de semana. Foto: Aparecido Frota

O Centro Espírita Bezerra de Menezes, de Dourados, sediou sábado e domingo (16 e 17 de junho) o seminário "Autoconhecimento e o Trabalhador Espírita", com o psicólogo clínico e expositor Marlon Reikdal. Através de um evento interativo com o público, pautado na psicologia espírita de Joanna de Ângelis, o palestrante falou sobre autoconhecimento, algo muito profundo, um caminho que todo ser humano um dia terá que trilhar.

Ele explicou que essa proposta consta no Livro dos Espíritos, quando Kardec fez a pergunta: Qual o meio prático mais eficaz que tem o homem de se transformar moralmente e não ser arrastado pelo mal?, a resposta veio de um espírito sábio da antiguidade que disse: "Conhece-te a ti mesmo".

O psicólogo lembra que a proposta do autoconhecimento é o desenvolvimento das virtudes de "dentro para fora", e não, uma imposição de virtudes de "fora para dentro". "A gente acredita que vamos nos transformar em humildes, se a gente tiver cara de humilde; vamos nos transformar em calmos, se a gente mantiver uma aparência de calmo; que a gente vai ser caridoso, se a gente incorporar uma aparência de caridoso, mas nos enganamos, isso são ‘máscaras’", alerta o psicólogo.

A proposta, segundo ele, é inversa, ou seja, "não é você olhar de fora e impor as virtudes dentro de você, mas sim, você olhar para dentro de você, reconhecer suas limitações, suas pendências, suas mazelas e pensar como poderá transformar essas energias a seu favor. "Ninguém deixa de ser orgulhoso e se transformar em humilde de uma hora para outra, mas quando você compreende o seu orgulho e, refletindo sobre isso, vai transformando esse orgulho. Isso não significa ‘eliminar’ o orgulho, mas você consegue ‘domar’ esse sentimento, no processo de transformação moral", explica.

Essa proposta, Reikdal se baseia no Livro dos Espíritos, no trecho que em que Kardec cita "Reconhece-se o verdadeiro espírita pela sua transformação moral, e pelos esforços que se faz para domar as suas más inclinações".

"A proposta se ‘esforçar’ em domar esses elementos negativos de dentro de si, já é um processo de transformação moral", avalia. Ele garante: Eliminar totalmente esses elementos negativos não é para essa encarnação, já que o processo de transformação moral do ser encarnado na terra demora séculos, lembrando que estamos num planeta de provas e expiações, onde o mal ainda predomina no ser. "O que impede de nos tornamos pessoas melhores são o nosso egoísmo, que está presente na estrutura da personalidade humana, o que gera outros vícios morais, como a inveja, orgulho, vaidade, entre outros. Agora, quanto mais nos reconhecemos egoístas, pequenos, equivocados e sujos, chegamos mais perto do divino e crescemos moralmente", observa Reikdal.

CASAS ESPÍRITAS A palestra de Reikdal durante o seminário tratou também sobre o atendimento nas casas espíritas em geral. Ele falou sobre o tema no sábado, durante a abertura do seminário. Foi uma reflexão sobre o funcionamento do atendimento fraterno e espiritual para auxílio e orientação dos conflitos existenciais humanos, cada vez mais presentes nas instituições espíritas. Ele sugeriu a reavaliação de métodos, no sentido de se criar novas alternativas que possam colaborar para melhor acolhimento das pessoas, que diariamente se dirigem às casas espíritas em busca de esclarecimento espiritual e moral para suas aflições.

Ele lembra que muitos centros espíritas ainda utilizam métodos doutrinários antigos criticados por Kardec há 180 anos, onde já questionava as práticas utilizadas. "A proposta é se criar métodos para acolher e ouvir, o mínimo, sobre as necessidades da pessoa, o motivo pelo qual procuram uma casa espírita. Hoje em muitas instituições, passe tornou-se o principal objetivo da pessoa procurar ajuda", avalia.

O tema foi bastante questionado e, muitas dúvidas foram esclarecidas pelo palestrante espírita, que também é autor dos livros "Cultivo das emoções: um caminho para a transformação moral" (2015) e "Diálogo Fraterno: ética e técnica" (2016). Marlon Reikdal é psicólogo junguiano, professor universitário, escritor espírita, palestrante nacional e internacional.

O evento, que foi gratuito, teve a realização da Federação Espírita de Mato Grosso do Sul (Fems) e da União Regional Espírita de Dourados (URE).

Texto: Marli Lange

Fotos: Aparecido Frota