PAIS: Os primeiros e primordiais evangelizadores

18/05/2018 08h34

Crédito da imagem: Estudos Bíblicos Crédito da imagem: Estudos Bíblicos

Imaginemos que um oleiro no desempenho de sua função, entregue o barro ou argila – matéria prima dos vasos que fabrica – diretamente ao forno, sem que antes disso tenha modelado o artefato garantindo assim sua correta estruturação, acreditando que o cozimento, etapa final de sua produção, possa lhe premiar com um belo vaso ornamentado.

Que resultado obteria o ceramista?

O fruto de tal trabalho, é bem lógico, será apenas um bolo de massa disforme, sem nenhuma aparência, nenhum contorno.

Pois bem, a importância da participação dos pais na educação de seus filhos é tão importante quanto a atuação do oleiro ao modelar o barro na criação de seus vasos. A inexperiência, fragilidade, ausência de conhecimentos mínimos que garantam uma sobrevivência independente ao ser humano recém-encarnado naturalmente os conduzem ao acolhimento de um companheiro com maior vivência. A missão sagrada de ser o guia, conselheiro e mentor que auxiliarão os irmãos principiantes nos primeiros passos dados em sua nova romagem terrena, caberá aos pais. Missão de elevada responsabilidade e que exige sublime dedicação da parte de quem executa.

São os pais os responsáveis por propiciarem aos filhos os primeiros exemplos de amor, ternura e acolhimento. Caberá aos pais a tarefa de zelar pela segurança e crescimento dos filhos, não apenas o crescimento orgânico, levado a cabo pelo cuidado desvelado com sua saúde e alimentação, mas também, e principalmente, o desenvolvimento moral e intelectual de seus pequenos.

Alguns, desorientados na condução de seus filhos, cobram dos estabelecimentos educacionais um processo de educação primoroso e reclamam quando não se veem atendidos, assim como o oleiro, entregam a educação de seus filhos a outros acreditando estarem fazendo o melhor, quando na verdade a educação escolar é complementar ao principal, e só será realmente efetiva quando ministrada em conciliação aos princípios e bases morais dos quais a família é portadora. Terceirizam a criação dos filhos, sem que haja o esforço próprio na modelagem e formação da índole e do caráter que só os pais, em grande parte das vezes, podem fornecer.

Estando no princípio de suas atuais vivências, os filhos são ainda extremamente suscetíveis e receptivos ao aprendizado que lhes é propiciado, tomando como direcionamento o exemplo, as lições e atitudes daqueles que lhes estão mais próximos, seus pais.

"Desde pequenina, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz da sua existência anterior. A estudá-los devem os pais aplicar-se. Todos os males se originam do egoísmo e do orgulho. Espreitem, pois, os pais os menores indícios reveladores do gérmen de tais vícios e cuidem de combatê-los, sem esperar que lancem raízes profundas. Façam como o bom jardineiro, que corta os rebentos defeituosos à medida que os vê apontar na árvore" - O Evangelho segundo o Espiritismo, Cap. XIV, Item 8.

É no dia a dia, nas atividades corriqueiras, nas mais simples trocas de experiências que os pais devem encontrar as grandes oportunidades de ensinamento. Como reflexo de sua conduta, os pais ensinarão aos seus rebentos as mais variadas lições, dentre elas a paciência, humildade, solidariedade, empatia, o modo de se relacionar com o próximo, respeito às diferenças e desigualdades, seus deveres e suas obrigações como cidadãos e seres humanos.

Os pais, por sua vez, acabam também aprendendo, pois se veem compelidos a reeducação de certos hábitos, modificação de certos costumes e comportamentos para que possam servir de padrão e exemplo nos quais os filhos possam se espelhar, o crescimento é via de mão dupla, recíproco.

Trata-se de verdadeiro preparo para a vivência íntima e social daquele ser em crescimento através de lições e exemplos de conduta dos que lhes são responsáveis. Como educadores do lar e condutores morais das almas que Deus vos confia, os pais se convertem em autênticos oleiros de almas.

Autor: Raphael Luis Teles - servidor público