Eutanásia é tema de reflexão no aniversário de 19 anos do CE André Luiz

28/05/2018 20h07

Público no centro Espírita André Luiz Público no centro Espírita André Luiz

O público presente na manhã de domingo, 27, em comemoração aos 19 anos do Centro Espírita André Luiz, em Dourados, foi agraciado pela palestra do vice-presidente da Unificação da Federação Espírita de Mato Grosso do Sul, (Fems), Wellington Gonçalves, que abordou a eutanásia no ponto de vista do direito e na visão da espiritualidade. A equipe de evangelizadores relatou o trabalho realizado junto à infância e juventude e o coral Caravana do Evangelho da União Regional Espírita (URE) presenteou a plateia com belas músicas.

Apesar do conhecimento de que apenas Deus pode tirar a vida da pessoa, muitas delas preferem morrer antes da hora. Na relação dos motivos determinantes para por fim à vida, estão o alívio ao sofrimento, as doenças incuráveis, a autonomia do paciente e até mesmo a idade avançada, como foi o caso do cientista australiano de 104 anos, David Goodall, que optou pelo suicídio assistido, no dia 10 de maio deste ano, alegando que sua qualidade de vida não estava boa.

Wellington Gonçalves relatou que a eutanásia enquanto direito é permitida na Holanda, Suíça, Bélgica, Luxemburgo, Alemanha, Colômbia, Canadá e em seis estados dos EUA (Washington, Oregon, Vermont, Novo México, Montana e Califórnia).

No campo da espiritualidade, o palestrante enfatizou que "somente Deus tem o direito de tirar a vida". Esta foi a resposta dada pelos benfeitores espirituais quando indagados por Allan Kardec, na questão 944, de O Livro dos Espíritos. Além de citar a obra básica da Doutrina Espírita sobre a morte suicida, o palestrante destacou os conhecimentos espirituais da eutanásia e abordados nas mensagens psicografadas de Francisco Cândido Xavier. Na questão 106, do livro O Consolador, o espírito Emmanuel é questionado se a eutanásia é um bem, nos casos de moléstia incurável. Ele responde que o homem não tem o direito de praticar a eutanásia, em caso algum, ainda que a mesma seja a demonstração aparente de medida benfazeja.

"A agonia prolongada pode ter finalidade preciosa para a alma e a moléstia incurável pode ser um bem, como a única válvula de escoamento das imperfeições do Espírito em marcha para a sublime aquisição de seus patrimônios da vida imortal. Além do mais, os desígnios divinos são insondáveis e a ciência precária dos homens não pode decidir nos problemas transcendentes das necessidades do Espírito", finaliza Emmanuel.

Wellington Gonçalves reforça a importância da preservação da vida citando a mensagem de São Luiz em o Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo V, item 28. "Minorai os derradeiros sofrimentos, quanto o puderdes; mas, guardai-vos de abreviar a vida, ainda que de um minuto, porque esse minuto pode evitar muitas lágrimas no futuro".

Para ampliar mais ainda o conhecimento da eutanásia o palestrante destacou as consequências espirituais da eutanásia de Cavalcante, trabalhador da seara católica, destacado no livro de André Luiz, Obreiros da vida eterna. "O perispírito de Cavalcante também é alcançado pelo medicamento e Cavalcante-Espírito vê-se atordoado, incapaz de qualquer atitude. Em face do ocorrido, o desprendimento do desencarnante só pôde ocorrer após 20 horas do previsto pelos espíritos amigos", descreveu o espírito André Luiz.

"Somente Deus tem o direito de tirar a vida", concluiu o palestrante Wellington Gonçalves.

Texto: Fátima Frota