Sansão

07/06/2018 15h08

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Há algumas décadas atrás vivia eu em um grande campo de uma cidadezinha italiana. Nessa propriedade eu e meus pais éramos funcionários de um administrador rico e cruel.

Quantas não foram as humilhações por ele impostas... Meu pai, como dependia desse trabalho não reagia, abaixava a cabeça e silenciava a voz. No entanto foi morrendo, morrendo não fisicamente, mas morrendo para a alegria, para o riso, para a família. Já não cantava, já não tocava seu instrumento de sopro. Mamãe, percebendo o que acontecia, perdeu também o brilho no olhar.

Eu fui alimentando dia a dia meu ódio e minha revolta e como era pequeno e franzino, acabava tremendo de desespero a cada vez que escutava os passos do senhor pisando as madeiras de nossa velha casa.

Emudeci, fechei-me em meu mundo e só pensava em uma coisa: um dia vou me vingar por tudo o que passamos. E serei cruel.

Nessa época eu tinha um cachorro perdigueiro chamado Sansão. Como minha raiva não era trabalhada e nem colocada para fora comecei a descontá-la no meu único amigo naquele lugar, comecei a maltratar Sansão.

Toda vez que ele me via chegando ele ficava tão feliz! Vinha se remexendo, abanando sua cauda. Pulava em mim, me lambia, se encostava entre as minhas pernas. Quando menos esperava desferia o golpe. Eram chutes, tapas, xingamentos. Sansão chorava grunhindo baixinho e saia correndo. Durante anos repeti diariamente esse comportamento hediondo e Sansão em todas as vezes vinha para mim da mesma forma, como o mesmo carinho, com a mesma alegria. Cachorro burro! – dizia eu.

Hoje, após muitos sofrimentos e resgates merecidos posso olhar para trás e perceber que a melhor lição para aquela existência quem me deu foi Sansão. Sansão me ensinou que cada um dá o que tem: eu só tinha revolta e violência... Sansão só tinha amor... E mais, aprendi a perdoar. Mesmo tendo sofrido ele sempre me dava uma nova chance de a partir daquele dia ser diferente, ser melhor.

Sansão me ensinou também o amor puro, o amor evangélico, o amor que ama, ama e só... Sansão não me julgou não me avançou e nem me mordeu. Nunca pagou na mesma moeda. Nunca revidou.

Hoje, olhando para trás vejo que Deus age de formas mais diversas quando envia amigos para ajudar com as nossas provas. Infelizmente na maioria das vezes não percebemos.

Até hoje procuro por Sansão, mas sei que ele habita lugares bem melhores do que esse em que estou. Peço a Deus que em futuro eu possa ser abençoado e conviver com um anjo de quatro patas chamado Sansão.

Com carinho

Ernesto

Mensagem psicografada na EU Allan Kardec em 06/06/18