O preço do crime

31/10/2018 14h05

"A liberdade, como sonhava com ela ... O tempo que passei atrás das grades me foi caro. Longe da família e do convívio social, fui me sentindo desolado e triste. Crimes cometidos que agora não fazem mais sentido, tiraram minha liberdade e cercearam minhas oportunidades. Erros meus que prejudicaram não só a mim, como aos meus familiares. Como voltar atrás se não havia como mostrar meu arrependimento? Como provar que queria ser uma pessoa melhor? Será que uma punição estática e temporal é justa? Não havia como demonstrar que poderia ser outra pessoa e isto foi me minando e acabando com minhas esperanças.

Não me lembro o que e como aconteceu, mas quando me dei por mim estava num hospital, sendo bem tratado e por incrível que parecesse, sem algemas ou correntes, nada me impedindo de fugir. Mas a verdade é que eu não queria sair dali, me sentia melhor, mais amparado. Com o tempo entendi que havia deixado meu corpo físico e não estava mais no mundo terreno. A justiça divina é bem mais benevolente que a dos homens e acho que alguém intercedeu por mim. Agora aprendo coisas novas, tenho a oportunidade de ver por que errei, onde falhei.

Que minha família um dia possa me perdoar por não ter compreendido que eles eram a minha missão. Minha ambição por querer satisfazer meus desejos levianos me levou para um caminho de perdição. Hoje, aprendo a ser simples e a me contentar com pouco. Trabalho incansavelmente para que possa de alguma forma zelar por eles.

Tentarei ser o marido e o pai que não fui através da proteção e ajuda discreta que um dia poderei oferecer a eles. Que Deus me conceda esta benção, mesmo que eles nunca precisem saber disto. Agora, o meu "eu" não importa mais e viverei por eles aqui, no plano espiritual, até que mereça reencontrá-los, seja como e onde for...".

Mensagem psicografada em 29/10/2018, na União Espírita Allan Kardec, em Dourados-MS