Não há nada no mundo que não se cure com amor

13/07/2018 11h51

Boa noite, amigos! Hoje posso chamá-los assim. Aliás hoje sou abençoado com muitos, muitos amigos. Mas nem sempre foi assim.

Em minha última existência terrena, no início da década de 20, eu era uma pessoa completamente só. Quando nasci minha mãezinha, em um momento de desespero, deixou-me na porta de um abrigo para crianças abandonadas. As pessoas que me acolheram não tinham tempo e nem disposição para estreitar os laços de afeto, pois éramos em muitos e nossa saúde e nosso sustento ocupavam-lhes todo o tempo.

Cresci sozinho, andei muito tarde, não fui muito feliz com as palavras por falta de estímulos. Devido a um problema neural não fui capaz de aprender a ler e nem a escrever e a minha fala era muito difícil de entender. E assim fui ficando... Ano após ano via crianças recém-chegadas serem adotadas e eu continuava lá, preso ao meu abandono e ao meu silêncio.

Conforme crescia percebia que esse meu aspecto bizarro gerava um desconforto naquele local. Apesar do déficit na fala e na aprendizagem eu era inteligente e pensava de maneira constante e até obsessiva. Em uma noite de desespero resolvi fugir e ganhei as ruas.

Assim como acontecia no abrigo, a rua também não me acolheu. Ao contrário, os moradores das calçadas e das sarjetas foram muito, muito mais cruéis. Enfim, sem saída, precisava achar um jeito de me proteger. Então me tornei mau, cruel, assassino. Passei a ser respeitado e meu silêncio e minhas cicatrizes afastaram os agressores de mim, mas também afastaram todos que poderiam me estender a mão.

Meu coração virou pedra e dentro de mim, da minha mudez, algo de humano morreu. Virei bicho, virei fera. Como um leão faminto agia pelo instinto de sobrevivência; agia como se em mim não houvesse consciência. Passei a ser o que chamamos de "zumbi"- um ser preso dentro de um corpo que já não domina. Subjugado e possesso fui brinquedo nas mãos de irmãozinhos perdidos e cruéis. Pelo bem desse ambiente não descreverei meus crimes e minhas faltas.

Ao despertar de minha consciência, já no plano extra-físico, eu me julguei e me condenei. Mas como sabem, não há mal que dure para sempre. Fui recolhido, amparado e amado como nunca imaginei. Assim como o abandono e a falta de amor me fizeram cruel, o afeto e os sentimentos nobres aqui encontrados me trouxeram de volta à luz... e como me fez bem!

Hoje, quando começo a relembrar meus crimes e baixar minha vibração, procuro me lembrar do "eu menino", que tinha esperança de encontrar o amor, que tinha a esperança de crescer bom. Será que se eu tivesse sido criado por minha mãe, ou se eu tivesse sido adotado, ou se os dirigentes do abrigo tivessem me dado amor, minha história teria sido diferente? Isso meus irmãos eu não sei responder... O que sei é que naquele momento, na rua era matar ou morrer. Não havia outra escolha para mim. Me conectei com espíritos inferiores e doentes...

Enfim peço a vocês, que já estão vivendo de forma muito melhor que eu, que orem pelos criminosos. Nada está perdido nos planos de Deus. Um pensamento de amor, de compreensão, de empatia, é capaz de conectar os maus com tantos espíritos que os amam e os incentivam ao bem.

Jesus, em seu momento derradeiro, nos deu talvez seu maior exemplo do Amor Divino. Apesar de tanta dor, ele perdoou o bandido e pediu ao Pai que perdoasse a todos os ignorantes que não sabiam o que estavam fazendo. Afinal, não há nada no mundo que não se cure com amor. Essa foi a grande lição do Cristo, o amor genuíno ao próximo e a nós mesmos.

Com amor,

Uma alma em recuperação

MENSAGEM PSICOGRAFADA EM U. E. ALLAN KARDEC EM 11/07/18