DESAPEGO MATERNO

26/10/2018 09h54

"Me vejo te alimentando quando ainda era pequeno, sua franja bagunçada e seus cabelos escuros lhe davam aspecto de mais arteiro. Era um tempo bom que foi bem aproveitado. Tudo passou muito rápido e logo você alçou voo próprio. Ficamos muito felizes, mas ao mesmo tempo preocupados. Ainda não tinha os esclarecimentos necessários para entender que você não era minha posse. Quem dera naquela época pudesse ter este entendimento de agora...

Para mim, só existia o apego à matéria, ao corpo e você, fazia parte do meu. Acabei sofrendo muito e manifestando sentimentos de propriedade, afastando você e até te assustando, pois você desejava liberdade, autonomia e independência. Desculpe, filho, por ter manifestado meu amor, que sempre foi sincero, de maneira tão descontrolada. Sei muito bem que você se afastou para conquistar seu espaço e não porque deixou de me amar. Não se preocupe mais com isto, pois acabei colhendo o que plantei, mas agora está tudo bem.

Tudo tinha um motivo de ser, como você irá descobrir quando vier ao plano espiritual. Que bom que você tem adquirido tanto conhecimento ainda aí, encarnado. Sempre foi estudioso, dedicado e sempre aprendia tudo por que se interessava.

Filho, nunca duvide de sua capacidade e nem do que te está reservado. Persevere sem desânimo, como a própria vida te ensinou. Lembra que antigamente você ainda precisava do nosso apoio, mas que aos poucos acabou voando muito mais alto que nós. Por vezes, cheguei até invejar este seu desprendimento e capacidade de se virar sozinho. Ainda bem que minha super proteção não interferiu em nada no seu desenvolvimento, me arrependeria muito aqui se isto tivesse acontecido.

Graças ao bom Deus, alguns desígnios independem do nosso livre arbítrio. Faz muita falta não poder mais compartilhar de suas descobertas e reflexões, mas sei que você está muito bem amparado. Nunca duvide disto!

Fique bem, meu querido e força nas suas provações. Você é capaz de entender tudo e suas percepções são muito coerentes, não tenha insegurança ao segui-las. Te amo, filho ! Não usarei mais o "meu" ...(meu filho)".

Mensagem psicografada em 22/10/18, na União Espírita Allan Kardec – Dourados-MS