Ligações Cerebrais: A ciência da comunicação neural não-local

24/02/2017 19h08

Jacobo Grinberg-Zylberbaum poderá vir a ser conhecido no futuro como um dos grandes nomes de um campo ainda inexplorado das ciências psíquicas. Seu trabalho pioneiro revelou evidências de que pode existir uma comunicação direta não-local entre dois cérebros humanos. Acadêmico da Universidde Nacional Autônoma do México ele originalmente publicou seus resultados no sétimo volume da Physics Essays (páginas 422-428, 1994). Os resultados foram sumarizados em seu artigo: "Brain to Brain Interactions and the Interpretation of Reality" (Interações Cérebro a Cérebro e a Interpretação da Realidade.):

"Descobrimos que quando duas pessoas interage e, posteriormente são separadas dentro de duas gaiolas de Faraday isoladas, e então uma das duas é estimulada e seu cérebro responde claramente ao potencial evocado, o cérebro do outro também é ativado e responde com o que chamei de "potencial de transferência."

As gaiolas de Faraday são importantes para eliminar qualquer tipo de interferência indesejável. Tratam-se de micro-ambientes electromagneticamente isolados no qual ondas de nenhum tipo (incluindo ondas de rádio) podem penetrar. O potencial evocado a que Grinberg se refere foi gerado por meio de flashes de luz estroboscópica nos olhos de um dos voluntários produzindo uma onda cerebral reconhecível via eletroencefalograma. Quando o cérebro de um voluntário era medido o mesmo padrão era detectado no exato mesmo momento no outro voluntário. A correlação dos padrões não ocorria quando nenhum estímulo era fornecido ao primeiro.

Experiência prévias

O grande mérito de Grinberg foi desenvolver uma metodologia, um protocolo, capaz de correlacionar o alvo da pesquisa (dois cérebros humanos). Na primeira tentativa, Grinberg-Zylberbaum registrou via EEG (Eletroencefalografia) as atividades cerebrais de um psicoterapeuta e de seus pacientes durante as sessões terapêuticas. Também fez uma gravação em áudio e vídeo de todo ambiente. Um grupo de especialistas analisou o som e o vídeo das gravações e quantificou o nível de comunicação entre as sessões usando uma escala de comunicação que ia de 0 (nenhuma comunicação) até 10 (a mais alta intensidade de comunicação empática). Outro grupo de técnicos, sem o conhecimento do primeiro grupo, analisou a eletroencefalografia e calculou a correlação inter-hemisférica dos dois indivíduos e o grau de intersubjetividade (entre terapeuta e pacientes) ao comparar o EEG de ambos. Foi encontrada uma correlação direta entre os graus de comunicação e a coerência dos EEG entre os pares. Além disso, as mudanças na correlação inter-hemisférica de cada indivíduo correspondia ao seu grau de comunicação.

Entretanto, o monitoramento do EEG é difícil de fazer quando o alvo da pesquisa está se comunicando verbalmente, pois ele obrigatoriamente deve se mexer. O trabalho de Orme-Johnson revelou em 1982 que a meditação produz um aumento da correlação inter-hemisferica das pessoas gravadas por um EEG. Portanto, no experimento seguinte, Grinberg- Zylberbaum e Ramos (1987) colocaram voluntários para meditar juntos e observaram as correlações interhemisféricas e intersubjetiva dos dois EEG. Neste experimento os voluntários também acionavam um botão quando sentiam "comunicação direta". Os pesquisadores descobriram que tanto os padrões inter-hemisféricos e as médias gerais destes padrões entre os dois voluntários eram similares durante o momento em que a comunicação direta era estabelecida. Por meio de experimentos de controle eles verificaram a similaridade entre os padrões dos dois EEG não se davam devido a fadiga ou hábito, mas realmente refletiam alguma espécie de padrão correlacional entre os pares.

"Telepatia" registrada

Os experimentos seguintes mostraram que a comunicação direta podia ser mantida, ao mostra a similaridade dos padrões registrados pelos eletroencefalogramas, mesmo quando os dois eram separados. Uma introdução mais detalhada ao procedimento é fornecida pelo Dr. Amit Goswani em seu artigo: "Einstein-Podolsky-Rosen Correlations in the Brain-Mind: the Transferred Potential", onde reproduz a experiência seguindo o protocolo abaixo:

  1. Os dois voluntários devem meditar lado a lado dentro de uma das gaiolas de Faraday por 20 minutos com o objetivo de atingir o estado de comunicação direta.
  2. Os dos voluntários e levado para uma segunda gaiola de Faraday onde permanece reclinado e com os olhos fechados, enquanto os dois continuam mantendo o estado de comunicação direta. O voluntário que permaneceu na outra gaiola é agora estimulado (por luzes estroboscópicas em intervalos randômicos.) , mas o outro voluntário não é estimulado, nem tem conhecimento de que o estímulo está sendo recebido pelo outro.
  3. Registros de eletroencefalogramas são feitos nos cérebros de ambos os voluntários. As gravações de uma centena de amostras são então comparadas via computador. Filtros de baixa frequência são usados para eliminar as frequências naturalmente correspondentes do EEG como as ondas-alfa.

Inicialmente as duas gaiolas de faraday eram separadas por três metros de distância. Em seguida as gaiolas foram separadas por uma distância maior de 14,5 metros. O aumento da distância entre os voluntários não apresentou contudo nenhuma barreira na transmissão inter-cerebral, sugerindo que a interação entre cérebros não envolve o espaço, mas ocorre no que Grinberg chamou de "reino da estrutura pré-espacial"

Os resultados levaram Grimberg a levantar a hipótese de que a "Realidade é percebida como o resultado da decodificação feita pelo cérebro de uma estrutura pré-espacial e assim envolve uma interpretação pelo aparato neuropsiquico." Segundo ele, "cada interpretação envolve a transformação de um processo em uma estrutura discreta. Um bom exemplo é transformação da sensação do ego em um objeto mental concreto que surge quando o cérebro observa o algoritmo que descreve o processo contínuo e mutante das atividades cerebrais. Uma operação similar explica a percepção de um objeto (uma pedra, por exemplo) quando o cérebro computa um padrão coerente. Este padrão é interpretado como um objeto e então é projetado em um reino exterior. Assim a percepção da existência de um reino exterior é também uma interpretação. Se esta interpretação é modificada, a diferença entre o exterior e o interior é dissolvida. A interpretação da realidade seria portanto um esforço coletivo. "

A comunicação entretanto não acontece em todos os casos. Os resultados estatísticos indicaram que apenas em 1 em cada 4 vezes o cérebro não estimulado também reagirá e mostrará no EEG um potencial de transferência no mesmo formato do potencial evocado. Experimentos de controle revelaram também que o potencial de transferência não ocorre quando a interação entre os dois voluntários não acorre inicialmente nem quando esta interação não é considerada de sucesso pelo voluntários (ou seja, quando não consideram que estabeleceram a comunicação direta) . Isso indica que a consciência esta envolvida no processo de correlação, mesmo que o "potencial de transmissão" seja em todo os casos ignorado pelo receptor monitorado.

Fontes de referências:
http://strangetrue.blogspot.com/2005/05/psi-captured-on-eeg-research-of-jacobo.html
http://www.start.gr/user/symposia/zylber4.htm
http://www.sustainedaction.org/Explorations/professor_jacobo_grinberg.htm
http://www2.fiu.edu/~mizrachs/quantum-brain.html