Se livre dos pesos

18/12/2017 13h02

Imagem: http://viewhdpicture.com Imagem: http://viewhdpicture.com

Falta bem pouco para que 2017 chegue ao fim e eu estou aqui com um único propósito: o de lhe pedir perdão. Me perdoe por não ser perfeita, por ter dificuldades múltiplas, alguns hábitos nocivos decorrentes da gula que não me deixa, uma boa dose de impaciência, além da eterna ansiedade. Peço perdão por tudo isso. Peço também que me desculpe caso eu o tenha magoado. Realmente tentei ter um ano bastante cuidadoso, mas se eu o magoei, foi absolutamente sem querer.

Não se engane, não é do dia para a noite que nos tornaremos criaturas perfeitas. Precisamos percorrer uma longa trajetória. O que é importantíssimo, é que nunca nos esqueçamos que só uma pessoa pode conviver com a nossa consciência: nós mesmos. Que feridas são essas que não saem da nossa cabeça, do nosso coração? Feridas que podemos ter provocado ou que sofremos. Não importa. Se alguém o magoou, tente perdoar. Se não pelo outro, por você. Se você magoou, peça perdão sincero e não volte a cometer o mesmo erro. Basta um olhar meramente atento para perceber que na mesma medida em que precisamos perdoar, precisamos também sermos perdoados e que isso não é um ato de benevolência, é evolução. Tudo faz parte do processo de aprimoramento.

A vida é assim, cheia de ciclos. Por falar em ciclos, o ano novo está aí oferecendo uma página em branco para escrevermos uma nova história. Sinceramente, por falar em perdão, talvez eu precise ser perdoada agora pela falta de modéstia, mas acho que passei por 2017 com uma boa nota e quero melhorar ainda mais a minha média em 2018. E como fazer isso? Não se engane, a resposta correta é: com muito esforço.

Eu disse por acaso uma frase dia desses e depois fiquei pensando a respeito. A frase era algo do tipo: "O que é a distância, se não a morte do pensamento"... E não é verdade? Enquanto pensamos a respeito de algo, nos mantemos próximos, seja de um fato, seja de uma pessoa. E há outra coisa ainda mais forte por trás do pensamento. O sentimento. Se pensamos é porque sentimos, e se sentimos, é porque isso ainda nos importa, de uma forma ou de outra. Encaremos os fatos. Lidar com a verdade, aliás, é uma das maneiras de entrarmos em contato com a realidade. A realidade não nos mostra necessariamente o que queremos, mas o que é. Sem tapar os olhos, fica mais fácil de enxergar o outro e nós mesmos. Com defeitos. Com qualidades. Sempre fico intrigada quando vejo dois opostos, ou alguém muito desequilibrado ou alguém muito equilibrado. E perceba bem, estou usando essas duas palavras sem me referir a um quadro patológico. Aí é uma outra história. Pessoas muito desequilibradas sempre me fazem pensar que estão pedindo socorro, que brigam, xingam, se tornam o centro das atenções porque a convivência com elas próprias está insustentável. Por outro lado, pessoas muito equilibradas me fazem pensar que em algum momento vão ter de liberar o que está represado e isso também me causa uma certa preocupação. Se você me perguntar se sou perfeita, respondo sem vacilar que estou trabalhando pra isso, mas a distância que me separa da perfeição é de milhares de anos-luz. E tudo bem. Não preciso ser perfeita agora, mas preciso me esforçar para evoluir. Não posso alegar ignorância. Esse ponto é importante. Se temos acesso ao conhecimento, seremos mais cedo ou mais tarde, cobrados por isso.

E pra concluir esse artigo meio sem foco, quero dizer que além de perdoar, para terminarmos bem um ciclo e começarmos outro ainda melhor, precisamos fazer as pazes conosco. Coisas boas não nos acontecerão se permanecermos de cara amarrada. Se não tivermos leveza e compaixão com o indivíduo que nos habita. Somos humanos. Erramos, sim, mas nos arrependemos e damos a volta por cima. Por isso, agora mesmo, pare de sentir piedade de você. Corra para frente do espelho, olhe-se firmemente, dê-lhe o melhor sorriso e diga: coisa linda, seu ano novo vai ser cheio de você. Que você seja quem é e que conquiste sorrisos merecidos, como esse que você está se dando agora. No ano que vem, nessa mesma época você me conta se essa dose de incentivo pessoal valeu ou não a pena. Quem vai resistir a esse sorriso?

Autora: Luciana Vicente - jornalista