Os males da humanidade resultam da imperfeição dos homens

14/12/2017 06h57

Imagem: Colegiodentistas.cl Imagem: Colegiodentistas.cl

No livro Obras Póstumas, Allan Kardec afirma no texto "Credo Espírita" que "os males da humanidade resultam da imperfeição dos homens" e justifica sua afirmação com várias considerações.

Allan Kardec argumenta que os homens prejudicam uns aos outros através de seus vícios e, que enquanto o homem for vicioso, será infeliz. A definição de vício aqui é abrangente e contempla todas nossas imperfeições derivadas do orgulho e do egoísmo. Cita que o aparato disponível, que poderia controlar estas mazelas, seriam nossas leis, mas que as mesmas se tornam ineficazes, por não combaterem a causa dos problemas, mas somente as consequências. Além do quê, são instrumentos punitivos e não educativos. Devido a esta ineficácia da lei civil, afirma que apenas a lei moral poderia modificar o foro íntimo das pessoas, através de suas consciências.

Kardec complementa que o homem com suas imperfeições e vícios contamina as instituições que constitui, embora estas, independente de terem cunho político, social, religioso, científico ou outros, têm seus objetivos e normas regulamentares, mas são administradas e geridas pelos homens, que através de seus comportamentos modificam as finalidades institucionais de acordo com sua conveniência. Exemplifico com uma questão atual: como cidadãos estamos sempre reclamando de nosso País. Mas quem "forma" este País somos nós, quem elege seus governantes, somos nós. Enquanto cada indivíduo não se preocupar em melhorar, qualquer instituição formada ou criada continuará contaminada. Esta mudança vem de baixo para cima e não de cima para baixo. Tornando-nos melhores cidadãos, formaremos melhores governantes no futuro e, consequentemente, um País melhor.

Para esta melhoria dos indivíduos ocorra, Kardec nos indica duas vertentes: crenças orientadoras e a educação na fase infantil. As crenças são leis morais, que modificam os sentimentos e comportamentos dos seres e quanto mais esclarecedoras e consoladoras, mais intimamente vão atuar nestas mudanças. A educação na fase infantil é aquela que gera os princípios morais e os valores que são "gravados" na criança, formando seu caráter. Por isto, o autor destaca que a educação deve ter prioridade sobre a instrução, pois conhecimentos adquiridos sem uma base moral sólida podem até ser usados em prejuízo da coletividade.

Tendo um sistema de crenças que traga orientações coerentes e plausíveis, que ofereça um direcionamento para todos os desafios a serem vividos, incentivando na melhoria de cada cidadão e apresentando perspectivas melhores que justifiquem este "esforço", então seremos motivados a superarmos nossas imperfeições e vícios e, assim, buscarmos a nossa felicidade e o bem estar comum. Por isto, os princípios doutrinários do Espiritismo, que explicam sobre a continuidade da vida, o objetivo de evolução da humanidade, as consequências de acordo com a lei da ação e reação, o reconhecimento da melhoria de conduta para garantir um futuro melhor e inclusive para "minimizar" provações e expiações presentes, endereçam todas as premissas citadas anteriormente.

Importante ressaltar que, de acordo com a linha de pensamento do autor, o grande obstáculo para a aceitação deste novo "modelo", que traria o progresso moral da humanidade de forma mais acelerada, é o paradigma de que a vida é uma só e, que tudo acaba após a morte. Pois qual o estímulo para a prática da fraternidade, da solidariedade e para a própria melhoria se o indivíduo aceita que não existe um depois? Muito pelo contrário, estimula-se o "viver a vida intensamente", o egoísmo, o senso de impunidade para os males praticados, o egocentrismo e o próprio materialismo como sendo o gerador dos prazeres de uma existência fútil.

Portanto, a certeza da continuidade da vida é a crença essencial para a construção de um mundo melhor no futuro!

Autor: André Leandro Pardi Franchi - servidor público