Os dez mandamentos e as Leis dos homens

03/06/2018 20h20

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Instado a escrever sobre esse importante tema, reflito que após vários e vários séculos, que o Criador deu a conhecer à humanidade suas leis morais; depois da vinda do Cristo, que segundo o espírito Áureo, em o livro Universo e Vida (Editora FEB) demorou-se 200 anos de preparação, em um longo e doloroso processo no qual teve de experimentar uma densificação de seu perispírito, para que pudesse ter um corpo humano; após o advento da Terceira Revelação, a Doutrina Espírita, nós, os seres humanos, ainda continuamos praticando os mesmos erros que Moisés e o Cristo rechaçaram.

Lembro quais são os dez mandamentos:

  1. Amar a Deus sobre todas as coisas;

  2. Não tomar Seu nome em vão;

  3. Guardar os sábados;

  4. Honrar pai e mãe;

  5. Não matar;

  6. Não pecar contra a castidade;

  7. Não furtar;

  8. Não levantar falso testemunho;

  9. Não desejar a mulher do próximo;

  10. Não cobiçar as coisas alheias.

Mandamentos os quais o Cristo resumiu em um só: "Amarás a Deus sobre todas as coisas e ao teu próximo como a ti mesmo". A humanidade, teimosa e arredia, relativizou muitos dos mandamentos da Primeira Lei e simplesmente ignorou o que determina a Segunda, apresentada por Jesus.

Com relação ao Direito, que é minha profissão, seja na docência, como na advocacia, triste é constatar que as leis dos homens foram relativizando as Leis de Deus, ao ponto de justificar o adultério (ou descriminalizá-lo, uma vez que no Brasil, fora revogado o artigo 240 do código penal, que o incriminava), de justificar o homicídio (por meio das eximentes penais, nem sempre apresentadas de forma responsável aos jurados), de relativizar o mandamento da castidade, de se guardar um dia na semana para o descanso para que não se explore o trabalhador (há patrões que obrigam seus empregados a trabalhar de domingo a domingo, sem descanso) e os pais e mães que, não raro são levados aos asilos, quando idosos, porque os filhos não mais têm paciência de zelar por eles.

A lei do Cristo segue impraticada, por várias justificativas, como "a necessidade de ser forte", como se o ato de ser forte pudesse ser confundido com o ato de ser amoral e ríspido. No Brasil é cada um por si e nesses dias de greve dos caminhoneiros, espanta-nos que estejam furtando gasolina dos carros parados, furando seus tanques. Como é possível que em uma situação de calamidade pública, em vez de ajudar o seu próximo, o ser humano furte do pouco que o próximo tem? Sinal de que ainda há atraso evolutivo.

O ser humano tornou-se um arremedo de si mesmo, em uma época de niilismo, materialismo, imediatismo. Não nos preocupamos com as coisas espirituais e morais e educamos as nossas crianças para serem aquilo que somos, ainda que estejamos tristes e insatisfeitos.

Os bens que acumulamos, as riquezas que guardamos, o status que cuidadosamente moldamos para apresentar à sociedade não mais satisfazem aos reclamos do nosso espírito. O distanciamento nosso de Deus (não Dele para conosco) e de Sua vontade, torna nossa atual existência agônica e sem sentido.

Minha mensagem é de alerta. Lancemos nossos olhos para o texto que antecede à leitura dos Dez Mandamentos, na sagrada escritura:

"Eu sou o Senhor, teu Deus, que te tirei da terra do Egito, da casa da servidão" – Êxodo 20:2.

As Leis de Deus foram trazidas aos homens, por três vezes, pois citamos, mais uma vez, a Terceira Revelação, a Doutrina Espírita. Mas poucos vem cumprindo essas leis, retificando o seu caráter, revisando a sua moral.

Haverá sem dúvida alguma, um expurgo. Da mesma forma que Deus retirou o seu povo do Egito. Temos notícias de que a comunidade de espíritos que circundam a terra (refiro-me aos desencarnados), que era de 18 bilhões de almas, vem sendo diminuída em número. Para onde estão sendo levados os espíritos renitentes que aqui reencarnavam e ainda aguardavam novas reencarnações?

Só há uma reposta, que você, leitor (a) já sabe: para mundos de provas e expiações, onde, como alertou o Cristo, "há choro e ranger de dentes".

Deus, na sua infinita bondade, não castiga seus filhos. O encaminhamento a esses mundos é da lei inexorável do progresso e questão de ligação fluídica (atração). Habitaremos mundos assim até o momento em que descumprirmos as Leis de Deus, que são as leis do progresso moral. Somos aprendizes em uma grande escola e nossa lição, aquela que devemos aprender, assimilar e praticar, é a lição do amor.

Nosso querido Francisco Cândido Xavier informou há quase 50 anos, que se a humanidade não entrasse em mais uma grande guerra, até o ano de 2019, teríamos um tempo de paz e um planeta terra em regeneração. Consoante com isso, já estão reencarnando no planeta, seres mais evoluídos. Primeiro vieram as crianças índigo e agora estão vindo as crianças cristais. São seres que não aceitarão velhas mentiras, nem a hipocrisia dos homens. Estão vindo para mudar o planeta, situando-o em um campo vibracional de regeneração, no qual crimes, guerras e cadeias serão coisas do passado, a lembrar, como disse a poetisa Cora Coralina, aos homens do passado, de um período triste pelo qual passou a humanidade, e não mais passará.

Voltando aos Dez Mandamentos, bem como ao mandamento do Cristo, urge que revisemos nossos valores. Urge que analisemos o quanto nos distanciamos dessas diretrizes. Urge que façamos a nossa reforma moral, para que sejamos dignos das promessas de Jesus, para que possamos habitar uma nova Terra, um planeta em que teremos contato direto com a Espiritualidade Superiora, quiçá talvez, ouvindo do próprio Cristo, que conseguimos ser vencedores, porque superamos o mais difícil de todos os desafios: nossa própria teimosia e resistência em sermos bons, corretos, leais, íntegros e bondosos.

Muita luz.

André Luiz Carvalho Greff - advogado (OAB-MS 6768) e professor universitário.