O que fizestes dos filhos que te confiei?

22/02/2018 20h59

Imagem: Revista Jovem e Adulto Cristão Imagem: Revista Jovem e Adulto Cristão

Passe o tempo que puder com eles, dê amor, carinho e atenção

Hoje em dia é muito comum encontrarmos mães que criam seus filhos sozinhas, pois o relacionamento não deu certo e o ex-companheiro partiu no mundo em busca da felicidade ou apenas abandonou mesmo, uma vez que muitos homens ao se separarem escolhem romper com tudo, inclusive com os filhos.

Por outro lado, nunca vimos também tantos pais amorosos e carinhosos, que casados ou não, participam intensamente da vida de seus filhos, entendem que sua responsabilidade é natural e nada mais do que sua obrigação estão fazendo quando alternam com a mãe as tarefas de responsabilidades e amor em relação aos filhos.

Há ainda um terceiro grupo de pais, um que raramente veríamos em tempos passados.São os pais que assumem a criação dos filhos, nesse caso, é a mãe que se afasta. Não nos importando aqui esmiuçar os motivos, enfim, o que buscamos refletir sobre quão impactante na vida do filho é a participação de um pai.

Nossos filhos são espíritos que nos são tutelados, temos com eles grandes compromissos, mas o principal é de amá-los. Eles precisam se sentir amados, desejados e queridos. Necessitam saber que são importantes na vida dos pais e da família e jamais devem se sentir rejeitados ou que o nascimento deles foi um erro.

Quando alguns casais se separam parece que há uma necessidade de demonstrar algo para o outro, queremos dizer ao mundo que somos fortes e que já demos a volta por cima, gastamos tempo e energia focados em machucar o outro e muitas vezes perdemos nossa essência, na busca insana de ser algo que não somos, para provar não sei o quê, acabamos machucando aqueles que mais precisam de nós nesse momento, os nossos filhos. Mais ainda: às vezes os usamos contra o (a) ex.

Peço para parar sua leitura agora, fechar os olhos e responder essas duas perguntas: Que tipo de relação você quer ter com seus filhos daqui 10, 20 ou 30 anos? Quando você estiver no final da vida, como quer se recordar da relação com ele?

Imagine que ao retornar ao plano espiritual você encontre Jesus e ele te faça a seguinte pergunta: O que fizeste dos filhos que te confiei? Eu, particularmente quero responder que os amei com toda minha força, que não medi esforços para estar física e espiritualmente com eles o máximo de tempo possível. Irei falar que durante a minha jornada eles foram meus melhores amigos e por eles eu mudei e me tornei um homem melhor.

Trago uma das frases mais marcantes de Chico Xavier, quando disse o seguinte – Ninguém pode mudar o que fez no passado, mas todos nós podemos recomeçar e construir um novo final. Então não espere mais tempo, se tua relação com teus filhos não é boa, mude. Se você se afastou deles, se reaproxime, pare de procurar desculpas pra justificar sua ausência.

Muitos pais adoram dizer que não passam mais tempo com os filhos por causa do trabalho, tudo bem, realmente precisamos trabalhar, até mesmo para oferecer a esses filhos o mínimo em moradia, saúde, educação e lazer, mas te pergunto: e o tempo que passa com eles, mesmo sendo pouco é de qualidade? Você sabe quais são os gostos dos seus filhos? O nome da professora preferida e dos amigos mais próximos? O que ele assiste na TV? Quais canais do YouTube ele acompanha? Quem está na sua lista de amigos do WhatsApp?

Faça de teus filhos seus melhores amigos, passe o tempo que puder com eles, dê amor, carinho e atenção. Seja afetuoso e compreensivo, pois, o tempo passa, os amigos, as festas, o trabalho, as viagens, tudo vai passar, mas eles estarão com vocês por todo esse trajeto . E no final, ficará uma sensação recompensadora de ter feito exatamente o que deveria fazer.

Eles vão te olhar com amor e admiração, irão desejar ser pais como você foi e fazer a seus filhos o que você fez a eles. E na hora de retornar a pátria espiritual, quando Jesus Cristo te perguntar: o que fizestes dos filhos que te confiei? Você responderá: Eu os amei, amei muito, com todas as minhas forças! Lembrem-se o tempo não volta, o que volta no final é a vontade de voltar no tempo.

Autor: Jorge Granja - Professor, servidor público e expositor espírita