O Mentor Espiritual - Parte 2

25/05/2018 18h10

Chico Xavier e seu mentor Emmanuel Chico Xavier e seu mentor Emmanuel

Seguindo a série de estudos sobre a temática envolvendo os mentores espirituais, lembramo-nos de que no artigo anterior aprendemos que todos nós contamos com a proteção direta de Espíritos destinados a nos acompanhar enquanto encarnados, que nos inspiram e nos aconselham pela estrada da vida, sendo o bálsamo dos caminhos de provas e expiações que tenhamos que passar. Entretanto, se escolhemos nos afastar deles, eles assim respeitam, deixando com que exerçamos o nosso livre arbítrio de forma plena, colhendo pelo caminho as reações que nossas ações causaram.

Hoje, dando continuidade ao estudo do tema dentro do Livro dos Espíritos, a Espiritualidade nos mostra mais algumas questões e respostas acerca do assunto.

**Questão 497 LE – O Espírito protetor pode deixar seu protegido à mercê de um Espírito que poderia lhe desejar o mal? **

*Resposta – Há união dos maus Espíritos para neutralizar a ação dos bons. Mas, se o protegido quiser, ele dará toda a força ao seu bom Espírito. O bom Espírito talvez encontre uma boa vontade, alhures, para ajudar; disto aproveita até seu retorno junto do seu protegido. *

Nesta primeira questão aprende-se que os mentores não nos deixam a mercê dos maus Espíritos, mas sim, que somos nós quem nos abrimos para as suas investidas maléficas, o que faz com que o mentor se afaste e vá ajudar em outro lugar, onde haja boa vontade por parte do encarnado, retornando assim que nos conscientizarmos dos malefícios que a nós mesmos estamos atraindo.

**Questão 498 LE – Quando o Espírito protetor deixa seu protegido se transviar na vida, é por falta de força, de sua parte, na luta contra outros Espíritos malévolos? **

Resposta – Não é porque ele não pode, mas porque ele não quer. Seu protegido sai das provas mais perfeito e mais instruído. Ele o assiste com seus conselhos, pelos bons pensamentos que lhe sugere, mas que, infelizmente, não são sempre escutados. Não é senão a fraqueza, a negligência ou o orgulho do homem que dão força aos maus Espíritos; seu poder sobre vós resulta de não lhe opordes resistência.

Aqui podemos verificar que são, como já dito em outros artigos, por meio das provas que nos aperfeiçoamos enquanto Espíritos, e para passar por elas, recebemos os bons conselhos de nossos mentores. Entretanto, se nossos maus sentimentos tomarem conta da gente e não seguirmos os conselhos a nós confiados abrimos espaço para que Espíritos maus nos influenciem, não tendo o mentor qualquer culpa pela situação. Atraímos aquilo que emanamos, sempre.

**Questão 499 LE – O Espírito protetor está constantemente com seu protegido? Não há alguma circunstância em que, sem o abandonar, o perca de vista? **

*Resposta – Há circunstâncias em que a presença do Espírito protetor não é necessária junto de seu protegido. *

**Questão 500 LE – Chega um momento em que o Espírito não tem mais necessidade de um anjo guardião? **

*Resposta – Sim, quando ele alcança um grau de poder conduzir a si mesmo, como chega o momento em que o escolar não tem mais necessidade do mestre; mas isso não ocorre sobre a vossa Terra. *

Interessante notar, também, que nem sempre a presença do mentor se faz necessária, bem como, chega um momento em que ele não se faz mais necessário junto a nós. Entretanto, que fique claro que isso jamais ocorre em sede da Terra.

**Questão 501 LE – Por que a ação dos Espíritos sobre a nossa existência é oculta e por que, quando nos protegem, não o fazem de uma forma ostensiva? **

Resposta – Se contardes com a sua proteção, não agireis por vós mesmos, e vosso Espírito não progredirá. Para que possa avançar lhe é necessária a experiência e é preciso, frequentemente, que ele a adquira às suas custas; é preciso que exerça suas habilidades, sem isso seria como uma criança que não se permitisse andar sozinha. A ação dos Espíritos que vos querem bem é sempre regulada de maneira a vos deixar o livre arbítrio, porque se não tiverdes responsabilidade não avançareis no caminho que vos deve conduzir até Deus. O homem, não vendo o seu apoio, se entrega às sua próprias forças; seu guia, entretanto, vela por ele e, de tempos em tempos, lhe brada para desconfiar do perigo.

Essa questão trata de uma temática interessante, que responde a algumas das dúvidas encontradas sobre o tema. Não há coerência na proteção ostensiva dos mentores, por isso, tal fato não ocorre. Se contarmos com a segurança indiscutível de um ser que nos guia de perto, não iremos fazer qualquer esforço, o que é um grande entrave à nossa evolução. Por isso, o livre arbítrio mais uma vez é companheiro, deixando que escolhamos o bem ou mal, e arcando com as belezas ou tristezas de nossas ações.

**Questão 502 LE – O Espírito protetor que consegue conduzir seu protegido no bom caminho, experimenta algum bem para si mesmo? **

*Resposta – É um mérito do qual se lhe tem em conta, seja para seu próprio adiantamento, seja por sua alegria. Ele é feliz quando vê seu desvelo coroado de sucesso, triunfando como um preceptor triunfa com o sucesso de seu aluno. *

**- Ele é responsável se não triunfar? **

*Resposta - Não, visto que fez o que dele dependia. *

Fica claro, aqui, que não há premiações como as conhecemos, aos mentores que logram êxito em sua empreitada junto ao seu encarnado. Sim, isso o auxilia em seu adiantamento e na sua sensação de felicidade, mas não há prêmios, bem como, não há punição se o protegido vier a falhar, já que tudo o que colhemos é fruto do que plantamos, e nisso, o mentor não influencia, ou seja, o que depende dele é feito, mas as escolhas finais são meramente nossas.

Questão 503 LE – O Espírito protetor que vê seu protegido seguir um mau caminho, malgrado seus avisos, sofre com isso e não lhe é uma causa de perturbação para a sua felicidade?

*Resposta – Ele sofre por causa dos seus erros e o lastima. Mas essa aflição não tem as angústias da paternidade terrestre, porque sabe que não há remédio para o mal, e aquilo que não se faz hoje, far-se-á amanhã. *

A Espiritualidade também nos ensina que se o protegido segue por caminhos tortuosos, isso causa sim tristeza ao mentor, mas não uma tristeza de responsabilidade, já que ele tem plena consciência de que aquilo que deixamos de fazer e que era nossa obrigação, mais cedo ou mais tarde será feito.

**Questão 504 LE – Podemos sempre saber o nome do nosso Espírito protetor ou anjo guardião? **

*Resposta – Por que razão quereis saber sobre nomes que não existem para vós. Credes, então que não haverá entre os Espíritos senão aqueles que conheceis? *

***- De que modo invocá-lo se não o conhecemos? ***

Resposta – Dai-lhe o nome que quiserdes, o de um Espírito superior pelo qual tendes simpatia ou veneração. Vosso Espírito protetor virá a esse apelo, porque todos os bons Espíritos são irmãos e se assistem entre si.

Por fim, as questões estudadas hoje demonstram que não há qualquer necessidade de que saibamos os nomes de nossos mentores, já que isso nada muda para a gente. Os mentores sempre nos responderão, seja qual nome dermos a eles.

Finalizando o estudo deste segundo artigo, aprendemos que os mentores nos assistem de perto, mas sempre tendo em vista que somos detentores do livre arbítrio e responsáveis pelas reações de nossas ações. Sendo assim, se nos afastamos dele, deixando aberta a porta às más influências, eles assim respeitarão, retornando sempre que nosso coração novamente se der conta de que o caminho do bem é o único caminho que vale a pena. Para que contemos com essa proteção, não são necessários nomes, visões, basta que peçamos o seu auxílio, e eles sempre nos socorrerão com seus bons conselhos e intuições, mostrando por onde devemos caminhar.

Paz a todos! Ah, e lembrem-se, conversem com o seu mentor! Não os ouvirá com os ouvidos materiais, mas sua alma será sempre a captadora do bem que ele sempre lhe quer transmitir.

Até o próximo artigo.

Autora: Rafaela Paes - colunista voluntária do Blog Letra Espírita