No meio do caminho tinha uma pedra

02/07/2018 08h25

Quem aqui nunca fez um plano e ficou frustrado ao perceber que ele não poderia ser realizado conforme o planejamento inicial? Tenho certeza de que isso já aconteceu com todos nós, não é mesmo? Nesse sentido, precisamos levar em conta dois fatores essenciais: qual a importância desse plano na sua vida e qual o tamanho da frustração. Quanto mais expectativa temos diante da realização de algo, maior a nossa desilusão ao encontrarmos um obstáculo pela frente.

Dia desses, me peguei sendo a mais autêntica personagem daquele desenho animado que dizia: "Ó vida, ó dia, ó azar". Fiquei com esse comportamento pessimista por uma semana. Se por um lado, sabia que essa posição de vítima não me ajudaria em nada, por outro, era como se estivesse num labirinto, cada vez mais distante da saída. Não foi fácil, mas felizmente consegui retomar o prumo.

Em primeiro lugar trabalhei a minha cabeça para o fato de que se pedras aparecem em nossos caminhos, cabe a nós fazermos o desvio e voltar para a estrada. Esse desvio requer tempo, e, mais: requer foco. Se você se sente vítima de uma situação, só vai conseguir enxergar elementos negativos. Já, se você se sente personagem na mesma situação, vai conseguir ver todos os aspectos. Vai entender que o mundo e as pessoas não estão contra você e que, se num determinado momento, você precisa passar por uma etapa que não estava planejada, tem que ser resiliente e ver como mais um processo de crescimento.

Outro ponto sobre o qual também refleti, que, aliás, é o mais importante tem relação com o conceito de fé. Como alguém pode dizer que tem fé, se entra em desespero diante de um obstáculo? Talvez o verdadeiro contraponto da fé seja o desespero e não a descrença. A descrença é algo frio, indiferente. Já o desespero é quente, perdido, sofrido. Veja você, que eu estou trazendo a minha própria reflexão pra que você também tenha a oportunidade de pensar quando enfrentar um desafio.

Precisamos nos ver como seres humanos. Esse é um elemento importante. Somos ainda muito imperfeitos. Podemos ter reações, mesmo não querendo, que nos fazem questionar os problemas da vida em seus mais diferentes aspectos. Outro item importante: a dupla "orai e vigiai", mais do que uma parceria de efeito é crucial na nossa vida. Se deixamos de vigiar os nossos pensamentos, certamente, permitiremos que elementos negativos nos invadam e como consequência, fugiremos das orações e cairemos numa zona vibratória perigosa. É tudo muito sutil e complexo.

O equilíbrio exige esforço, mas também está relacionado ao nosso nível de desenvolvimento. Quando olhamos pra dentro de nós, aprendemos a reconhecer os nossos pontos fortes e os nossos pontos fracos. Se entendemos que temos dificuldade em manter o equilíbrio, precisamos redobrar a atenção sempre que uma mudança não esperada nos avizinha. Passado o impacto inicial, o que nos resta é seguir sempre no caminho do bem, nos entregando de coração aberto ao que vier, com o nosso máximo esforço. Fazendo o nosso melhor, abrimos a perspectiva de que elementos positivos nos encontrem.

Por outro lado, se vibramos na negatividade, nos colocamos como vítimas eternas do mundo e ficamos esperando que alguém faça algo por nós, sem que, para isso, façamos a nossa parte, caímos na inércia. Se não nos ajudamos, como queremos que nos ajudem?

Vou dar um exemplo simples. Sabe aquele jogador de futebol em fim de contrato, sem perspectiva de renovação? Pois é, ele tem duas opções. Ou começa a reclamar do clube que não dá a ele a chance de continuar lá e aí, perde a forma, deixa de se dedicar, ou então, segue treinando intensamente, dá o seu melhor em todos os momentos. Qual perfil tem mais chance de conseguir um novo contrato ou seguir para um outro time? Nem preciso responder, né? Agora, adapte isso pra sua vida. Basta o mínimo de perspicácia para perceber que tem mais chance quem se prepara interna e externamente. O que fica disso tudo que escrevi? Fica, que se pedras aparecem em nossos caminhos, cabe a nós desviarmos dela para seguirmos em frente. Obstáculos existem para mostrar que a força está em nós e também que está Nele, nosso maior companheiro.

Luciana Vicente - jornalista