Meu corpo, meu instrumento

23/03/2018 18h53

Já há algum tempo, proliferam campanhas onde pessoas afirmam que são donas de seus corpos e, por isto, podem fazer o que quiser com eles, querendo justificar abortos, mudanças físicas, utilização do organismo ao bel prazer e submissão do mesmo ao que for necessário para satisfação de seus egocentrismos e excentricidades. No entanto, precisamos fazer algumas considerações à luz da Doutrina Espírita.

Por sermos espíritos imortais, sabemos que nosso corpo físico é apenas um invólucro para nossa jornada terrena. Também devemos estar cientes de que nosso corpo veio com características pré-determinadas, que foram escolhidas por nós mesmos no plano espiritual ou que são necessárias para vivenciarmos nossos desafios evolutivos. Ou seja, este corpo é um instrumento, nos cedido por Deus, planejado na espiritualidade, para passarmos por nossas provações e expiações aqui na Terra e prosseguirmos nossa caminhada evolutiva.

Porém, quando utilizamos qualquer tipo de drogas que alterem nossos caracteres físicos ou mentais, seja de forma temporária ou não, de forma leviana, estamos agredindo nosso instrumento, alterando seu funcionamento normal. Toda e qualquer busca, relativa ao entorpecimento, de prazeres sensoriais que não sejam naturais, de alterações de ordem estética que apenas atendam a vaidade voltada para sensualidade, exageros ou agressões que causem reações do próprio corpo, devem ser evitados.

Todos nós temos nosso livre-arbítrio e o direito de exercê-lo plenamente, no entanto devemos sempre lembrar que os males infringidos ao corpo transitório serão refletidos e deixarão marcas no períspirito, nosso modelador e organizador biológico e, portanto, nos acompanharão por um bom tempo além de nosso desencarne. Todo e qualquer hábito ruim que adquirirmos e que colabore ou leve à morte do corpo físico, quer seja de forma inconsciente ou não, será considerado suicídio, para todos os efeitos. E sabemos que o desencarne de um suicida é um processo muito doloroso e sofrido.

Ratificamos esta afirmativa com a narrativa feita pelo espírito André Luiz, na psicografia do Venerando Chico Xavier, no livro Nosso Lar, quando André, já desencarnado, é atendido por um médico espiritual que o examina:

"_ Os órgãos do corpo somático possuem incalculáveis reservas, segundo os desígnios do Senhor. O meu amigo, no entanto, iludiu excelentes oportunidades, desperdiçando patrimônios preciosos da experiência física. A longa tarefa, que lhe foi confiada pelos Maiores da Espiritualidade Superior, foi reduzida a meras tentativas de trabalho que não se consumou. Todo o aparelho gástrico foi destruído à custa de excessos de alimentação e bebidas alcóolicas, aparentemente sem importância. Devorou-lhe a sífilis energias essenciais. Como vê, o suicídio é incontestável".

É claro que, quando nos preocupamos em melhorar nossa disposição geral, fazendo exercícios, meditando, praticando esportes saudáveis, tendo uma alimentação equilibrada, estamos concorrendo para uma boa manutenção do nosso maquinário orgânico. Diga-se o mesmo quando buscamos através da medicina ou outra ciência específica, meios para fortalecer nossa saúde ou combatermos enfermidades, sejam físicas ou psicológicas.

Portanto, devemos refletir sobre a importância que este instrumento tem em nossa jornada terrena e como devemos nos preocupar em cuidar de forma respeitosa desta verdadeira dádiva orgânica nos concedida.

Autor: André Leandro Pardi Franchi - servidor público