Finados. Ponto final?

02/11/2017 12h31

Muitos pensam que com a morte tudo acaba.

O feriado de Finados chegou e a saudade vai apertando com as lembranças tomando conta dos que "perderam" os entes queridos e amigos de caminhada. Esta data é alusiva à morte e ressurreição de Jesus, um processo que todas as pessoas vão passar. Para os Espíritas, o sentido específico da palavra morte não existe, pois, se o Espírito permanece vivo, não existe a morte. O que ocorre é o desligamento do espírito de um corpo físico. Isto significa que poderemos nos reencontrar no plano espiritual, pois os laços de afetos continuam. "Fátima, o que está acontecendo comigo?", dizia minha mãe no leito do hospital, nos momentos finais da sua vida entre nós. "Mãe, fique tranquila, confie em Deus e Jesus, tudo vai ficar bem", dizia para acalmar aquela alma bonita que aqui viveu por 64 anos.

Assim como em outras datas comemorativas, este dia é uma oportunidade para repensar a vida, tão passageira, aqui na Terra. A morte, como dizia minha mãe, é a única certeza que temos. De fato, se temos consciência de que um dia retornaremos para o lado espiritual da vida. Bom mesmo é refletirmos como estamos vivendo os nossos dias.

Muitos pensam que com a morte tudo acaba. Uma das provas de que a vida continua ocorre durante o sono. Muitas vezes nos reencontramos e conversamos com aquela alma querida e neste encontro matamos a saudade. Ao acordarmos, as lembranças do sonho vem à mente. O coração bate forte e então, num gesto automático, passamos a orar pela pessoa querida. Foi tão nítida a percepção do contato ao ponto de afirmarmos que: "Foi tão real a presença dela!"

A saudade vai espichando no coração e passamos a lembrar com tanto carinho as benfeitorias recebidas e nem sempre percebidas enquanto a pessoa esteve ao nosso lado. Passamos a pensar que poderíamos ter sido melhores filhos, melhores amigos, mais fraternos e amorosos. Por que ficamos com tanta picuinha, vendo defeito, onde só existiam cuidados e atenção? Por que deixamos de abraçá-los, beijá-los e carinhosamente dizer que os amávamos? Por que não seguimos as orientações dos nossos primeiros professores no lar terreno, os nossos pais? Por quê?

"Mas, agora não tem mais jeito. Eles já morreram", poderão dizer alguns. E eu afirmo que tem sim. O que deixamos de realizar enquanto estiveram ao nosso lado, podemos recomeçar agora. Orando, vibrando gratidão e amor por tudo que tentaram fazer por nós. Em pensamento e com o coração amoroso podemos agradecê-los pelas noites sem dormir, pelo forma carinhosa pedindo para seguirmos em frente nos estudos e na profissão, pela comida no prato, mesmo sem condições de oferecer artigos de luxo, pois o dinheiro era escasso. Agradecer pelo perdão permanente das faltas cometidas nos momentos estourados da relação. Agradecer, principalmente, porque permitiram o nosso nascimento.

Muitos pais estão mortos para os filhos, mesmo vivendo no quarto do fundo ou numa instituição que abriga idosos. Outros tantos também estão em casa esperando pelos filhos, mas estes não têm tempo para visitá-los. "Muito compromisso, muito serviço", é a falta de tempo tão destacada por muitos. Pois é! E então, vem a morte e os leva. "Foi melhor pra eles, vão descansar", dizem. Descansar?

A vida continua e o que aconteceu é que eles foram primeiro do que você. Está preparado para fazer a viagem de volta? "Credo, não fala assim", um colega de trabalho me disse certo dia em que conversávamos sobre a morte. Mas é a única certeza que temos. Que lugar é esse afinal que iremos pós morte do corpo físico? É o mundo espiritual, morada de todos nós. Local onde reencontraremos aqueles a quem afeiçoamos nesta vida, principalmente os nossos pais, que na maioria das vezes são eles a nos receberem, em nome de Jesus, ao entrarmos no processo de desencarne (a morte do corpo físico).

Uma proposta para o dia 2 de novembro é aproveitar para fortalecer os sentimentos bondosos com os nossos pais, irmãos e amigos, pois qualquer hora dessas pegaremos a nossa mala e retornaremos ao Pai. O que você levará na bagagem?

Autora: Fátima Frota - pedagoga