Estamos no nosso “Depois de Cristo”?

07/12/2018 16h08

Personalidade fundamental na história da civilização, Jesus Cristo também foi um marco divisório para o registro da mesma. Os anos passados depois de sua vinda receberam a numeração devida e o complemento D.C.(Depois de Cristo), assim como os antecedentes foram designados por A.C.(Antes de Cristo).

No entanto, a abordagem aqui pretendida é relativa ao significado deste marco no íntimo de cada um de nós.

Para entendermos melhor o significado da existência de Jesus Cristo e suas consequências, nos valeremos de exemplos conhecidos de personagens da história, para depois expandirmos nossa reflexão. Jesus foi retratado de diversas maneiras, pela sua angelitude e pelo magnetismo que exercia em todos que o conheciam. Suas falas e gestos emanavam harmonia e fraternidade para aqueles que se dispusessem a acompanhá-lo.

Seus ensinamentos e exemplos inspiraram a transformação da humanidade e até hoje modificam para melhor a vida de muitas pessoas. E, isto, podemos dizer com conhecimento de causa.

Um dos primeiros casos reais registrados sobre o efeito da transformação, que chamaremos como "Depois de Cristo", foi o de Maria de Magdala ou Maria de Madalena. Meretriz conhecida e popular, que vivia imersa em paixões inferiores, sexualidade e que, após um diálogo com Jesus Cristo, simplesmente abandonou tudo e passou a adotar uma vida cristã, tornando-se sua fiel seguidora.

Outro caso nos trazido com riqueza de detalhes no esplêndido livro Paulo e Estevão, psicografado por Chico Xavier, pelo espírito de Emmanuel, editado pela FEB, é a história de Saulo de Tarso, membro respeitado do sinédrio, que era uma assembleia que exercia o poder em âmbito legal e religioso na época da Palestina antiga; cidadão romano e perseguidor implacável dos cristãos e, que a partir do momento que teve uma experiência espiritual com Jesus, transformou-se radicalmente, absorvendo e passando a vivenciar todos os ensinamentos do Mestre, de forma tão fiel e dedicada, que se tornou o apóstolo Paulo, um dos maiores propagadores da doutrina cristã.

Alguns de nós podemos nos perguntar, afinal de contas o que seria este efeito "Depois de Cristo"? Uma espécie de encantamento, de magia ou de entorpecimento? O que levou estas pessoas a se modificarem tão intensamente após breves contatos ou diálogos com o Mestre?

Na verdade, esta "interação" com Jesus Cristo, só despertou estas pessoas e trouxe à tona suas virtudes que estavam escondidas por suas próprias sombras e imperfeições.

Podemos ainda, pensar de forma leviana, que seria muito fácil mudar se Cristo aparecesse em nossa frente e nos dissesse algo ou nos orientasse. Mas, quantas vezes será que isto já ocorreu em nossas existências e nunca nos dispusemos a seguir estas orientações por conta de comodismo ou falta de vontade? Quantas vezes preferimos manter nossas posições sociais, poder, fortuna ou ainda, não quisemos abrir mão de nossas paixões inferiores de cada época vivida?

Afinal, se tivéssemos abraçado estas oportunidades no passado, assim como fizeram Maria de Magdala e Paulo, possivelmente não estaríamos aqui, reencarnados novamente no plano terreno, cheios de imperfeições para melhorar, com muitas provações e expiações para enfrentar.

Por isto, irmãos, vivendo momentos cruciais para o nosso planeta, que se encontra em período de transição, urge a necessidade de despertarmos! Assim como fizeram Maria de Magdala, Paulo e muitos outros, cada um em sua época.

Dada à seriedade e complexidade deste tema, iniciaremos uma série de reflexões para aprendermos juntos sobre este que talvez seja o maior objetivo em nossas jornadas, a nossa melhoria e evolução. Processo este que estará se desenvolvendo através da nossa reforma íntima e individual. Que a espiritualidade possa nos amparar e que este estudo seja atrativo para todos, pois chega de desperdiçarmos oportunidades em nossas existências.

Jesus já veio muitas vezes até nós, retribuamos agora e sigamos na direção dele, tendo a certeza que traçaremos assim o nosso próprio "Depois de Cristo" em nossas vidas.

Autor: André Franchi - Servidor Público