Continuidade ou continuísmo nos Centros Espíritas

30/11/2018 13h54

No Movimento Espírita, no que tange à liderança das Instituições Espíritas seremos convidados a lidar com duas formas de agir: continuidade ou continuísmo. Estas duas palavras que trazem o mesmo radical aparentam ser a mesma coisa, no entanto, têm significados completamente diferentes, em se tratando do ato de conduzir as atividades espíritas.

Segundo os dicionários, continuísmo é a perpetuação no poder. No caso das instituições espíritas, mesmo sabendo que elas não ocupam nenhum poder temporal significativo, existem dirigentes que se comprazem em permanecer indefinidamente nos postos diretivos, devido a trazerem tendências do passado espiritual, em que os cargos, especialmente os eclesiásticos, eram vitalícios.

Esses dirigentes agem assim para satisfazer o próprio ego, em um processo de projeção da personalidade, ou porque trazem a tendência à acomodação e qualquer mudança os tiraria da rotina. O fato é que preferem manter as coisas como estão, pois qualquer modificação pede esforço, estudo, interesse em ressignificar posturas.

Vivem fechados em seu mundo, sem contato com o exterior e com qualquer iniciativa que possa gerar inovação, fato que os mantêm cada vez mais arraigados ao seu modo de proceder. Por isso, isolam-se nas próprias instituições que dirigem sem participar ativamente do intercâmbio com outras instituições e com atividades de cunho coletivo, como congressos, seminários, encontros etc. Não agem assim por má fé, mas por ignorância, em nível consciencial, do real objetivo da vida, que é o de ressignificar tendências que trazemos do passado.

"Continuidade", por sua vez, tem significado completamente diferente em se tratando das atividades de liderança. Trata-se da continuação das atividades em busca dos objetivos previamente estabelecidos, porquanto os trabalhos nas Instituições Espíritas devem ser pensados para serem efetivados a médio e longo prazo.

Quando uma equipe de trabalho em uma Instituição Espírita desenvolve um trabalho que faz diferença positiva para o Movimento não é salutar mudar a todo o momento a equipe, simplesmente para inovar, porque agir assim pode representar, justamente, a dificuldade para continuidade dos trabalhos de forma efetiva.

Nesse caso, não há temor ao "novo" e a continuidade dos trabalhos não exclui a reflexão e a avaliação do que é implementado, para que, caso necessário, sejam realizadas as devidas mudanças para alcançar sempre o melhor, de maneira mais eficiente e eficaz, de modo a se aperfeiçoar as atividades ao longo do tempo.

Entretanto, não devemos aceitar novas ideias simplesmente porque são novas, mas adotá-las somente depois de analisá-las minuciosamente, refletindo se estão alicerçadas nas Leis Divinas e na prática das virtudes cristãs. Somente assim teremos um Movimento Espírita cada vez mais coeso e cristão.

Agir assim é muito importante para que não sejam alterados os rumos da instituição, desviando-se por atalhos que, se em um primeiro momento podem ser imperceptíveis, com o tempo poderão ensejar uma guinada muito grande na trajetória da Instituição Espírita, afastando-a dos rumos seguros, que têm como base as Leis Divinas Naturais.

Inúmeros outros movimentos religiosos ao longo da história da Humanidade nos dão o exemplo de adulterações. Inicialmente, aceitaram modificações de pequena monta e tiveram seus rumos totalmente alterados. Foi assim que o Cristianismo puro dos três primeiros séculos foi desvirtuado, conforme a história conta.

Evitemos, portanto, o continuísmo, mas adotemos a continuidade. O primeiro representa a estagnação, enquanto o segundo é a busca dos objetivos traçados de forma consciente, autêntica, serena e fraterna, por meio de uma atividade constante e ininterrupta, centrada no esforço de fazer com que o Cristianismo redivivo, isto é, a Doutrina Espírita, esteja cada vez mais presente em nossas instituições.

Lacordaire Abrahão Faiad Presidente Feemt – Federação Espírita do Estado de Mato Grosso.