Como você abre e fecha portas na sua vida?

12/06/2018 22h37

Retirada de https://amenteemaravilhosa.com.br Retirada de https://amenteemaravilhosa.com.br

Talvez porque eu sente perto da porta em meu local de trabalho. Talvez porque eu seja observadora. Talvez pelos dois motivos. O fato é que de uns tempos pra cá, tenho prestado muito a atenção em como as pessoas abrem e fecham portas. Algumas, educadamente, olham sempre pra ver se alguém está vindo logo atrás e até fazem a gentileza de esperar quem está chegando. Outras, no entanto, caminham sem olhar quem vem e quem vai. Para elas, apenas a própria trajetória interessa.

Este não é propriamente um artigo sobre portas, se é que você me entende. Pra ser mais específica, minha intenção é falar sobre ciclos. Ciclos que começam. Ciclos que acabam. Ciclos que recomeçam. Para quem acredita em reencarnação, é evidente que cada encarnação que se inicia é uma nova etapa no nosso processo evolutivo. Temos a chance de fazer escolhas diferentes, de melhorar onde ainda não somos bons, de deixar de errar sempre nas mesmas coisas. Mas aí você pode me falar: "Mesmo que eu acredite nisso, vou ter que esperar nascer de novo pra fazer escolhas diferentes?" Psicologicamente, com certeza, não. E sabe por que razão? Elementar. Porque a vida está sempre em movimento. Podemos não conseguir apagar o que já fizemos, porém, podemos mudar o caminho e fazer novos desenhos. No final, é uma coisa só. A nossa bagagem de vida é única e intransferível. Se nós fazemos mal a alguém, nós é que teremos que arcar com as consequências.

Quem aqui nunca se sentiu injustiçado? Sabe o que é mil vezes pior do que ser injustiçado? É cometer a injustiça. Eu, pelo menos, detesto fazer quem quer que seja sofrer por minha causa. Prefiro sofrer a fazer sofrer. Como ainda estamos longe da perfeição, precisamos ter em mente que nem sempre vai dar pra impedir o sofrimento. O que conseguimos fazer desde já é vigiar nossas atitudes. Mudar aos poucos, sem grandes traumas. Depois de alguns quilômetros, vamos ver que podemos ainda ter muito a aprender, mas que estamos no caminho certo.

Além disso, há outro aspecto fundamental. Nós nascemos psicologicamente em cada ciclo que se inicia. Todo começo vem carregado de expectativas. É uma força nova que recebemos para avançar.

Pensando bem, talvez até esse artigo seja um pouco sobre portas, sim. Sobre portas e sobre como as pessoas passam por elas. Existe um lado positivo em atravessar sem olhar para trás. Quer dizer que você vai seguir em frente e deixar o que já foi. Isso é categoricamente focar no que virá. Existem outras possíveis interpretações. Quem sai sem olhar para trás talvez precise intensificar o exercício de ver o outro. Como o outro se sente em relação a você? Será que não vale a pena ter a delicadeza de segurar a porta para quem está logo atrás antes de retomar seu passo? Uma simples observação de gente entrando e saindo de uma porta pode gerar uma enxurrada de pensamentos.

Definitivamente, pra fechar o raciocínio, sem fechar portas, hoje mesmo uma colega veio me procurar pra se despedir. Depois de vinte anos, ela resolveu dar novos rumos à carreira. Ou seja, vai fechar uma porta para abrir outra. Se você preferir, vai fechar um ciclo para iniciar outro. O que eu disse a ela, repito agora pra você. "Querida, sou muito grata por ter vindo se despedir de mim. Não há nada de errado em tentar novos caminhos. Ciclos começam e acabam o tempo todo. É preciso ter coragem para enfrentá-los. A roda gira. A única força absoluta é a de Deus. Todo o resto é relativo. Ofereça sempre o seu máximo com humildade, que o melhor vai acontecer."

Nós não sabemos que forças estão vindo em nossa direção. Não sabemos quais experiências enfrentaremos. Não temos a menor idéia se novidades chegarão rapidamente ou ainda teremos uma longa espera pela frente. Estamos longe de possuir todas as respostas. Às vezes não sabemos nem o que perguntar. Mas já temos clareza de como devemos ser: Melhores hoje do que ontem, melhores amanhã do que hoje. Se buscamos "sins", precisamos entender "nãos". Se entendermos "nãos" é sinal de que o "sim" já vai chegar. Isso, claro, se nós não tivermos trancado todas as portas.

Luciana Vicente - jornalista