Caleidoscópio da vida

18/12/2018 18h05

Foto:  H. Pellikka Foto: H. Pellikka

Dizer que o tempo voou em 2018 é o mais absoluto clichê. Afinal, quantas vezes a gente diz que o tempo passou devagar quando um ano chega ao fim? Muito raramente, né? A não ser, claro, em anos completamente negativos, quando a vida, de repente, se transforma em ruína, e aí vem o desejo de que um ano acabe pra que seja possível começar um outro diferente. Tanta desgraça concentrada de fato não é regra. Geralmente, temos altos e baixos e eu vou ponderar com você o motivo disso.

Não é preciso ser um gênio pra saber que estamos em constante transformação. Isso significa que não somos estáticos, e, mesmo que supostamente fôssemos como postes, ainda assim, estaríamos sujeitos ao movimento, caso um motorista descontrolado nos atingisse.

O que acontece com mais frequência é de nós nos vermos como vítimas do mundo, fechando os olhos para os elementos positivos. Feitas as considerações iniciais, muito bem, vamos seguir adiante. Se você é um leitor mais novo, talvez tenha ouvido falar do que vem a ser um caleidoscópio nas aulas de ciências. Agora, se você é um pouco mais velho, provavelmente já teve um em casa, ou até mesmo já fez um aparelho com as próprias mãos, usando toda a criatividade para escolher cores e formatos. Agora, se você nunca ouviu falar em caleidoscópio eu poderia simplesmente instigar sua curiosidade para que você procurasse um dicionário.

No entanto, sou muito boazinha e vou te trazer aqui o conceito que está lá: "Aparelho óptico formado por um tubo de cartão ou de metal, com pequenos fragmentos de vidro colorido que se refletem em pequenos espelhos inclinados, a cada movimento, combinações simétricas, variadas e de belas cores." (dicionário Michaelis)

Conseguiu imaginar? Se ainda assim a dúvida persistir, saiba que na internet há dezenas de sites que ensinam como fazer um caleidoscópio. Há também vídeos que elucidam cada passo. A graça do aparelho é que cada vez que resolver girá-lo, uma nova imagem será formada. E detalhe: será uma mais bonita que a outra. É como a vida. Em cada sacudida, um caminho aparece, uma escolha se faz necessária. Percebe que mesmo a não escolha já representa uma escolha, ou seja, uma possibilidade? É profundo isso. Filosofia de fim de ano pra vida toda.

Estou tentando ser leve porque a leveza é uma das propostas desse artigo. Nós temos duas maneiras de ver a vida. Quando um problema chega, podemos considerá-lo o fim de tudo. Ou podemos ter um impulso para darmos início a uma outra caminhada. Podemos ver noites escuras, sem lua, sem estrelas, ou podemos enxergar uma desaceleração necessária para termos segurança durante a curva. A forma como vemos faz toda a diferença. De que adianta nos considerarmos muito inteligentes se só enfatizarmos o defeito do outro, os elementos negativos. Eu reflito a respeito. Será que uma pessoa assim é de fato inteligente ou está apenas projetando sua imensa insegurança ao criticar tanto?

Nesse momento, quero pedir que você pense no quanto realmente faz parte do que se propõe a fazer. Ou, se preferir, serei mais direta, no quanto você se dá ao longo dos diferentes processos pelos quais passa na vida. Você está inteiro nos seus relacionamentos? Você está de fato no seu trabalho? Vou pegar mais fundo: Você está em você? Estando ou não, consegue se colocar no lugar do outro? Consegue perceber quais desafios ele enfrenta? Consegue ver potencialidade onde a maioria só vê defeito? Isso vale para os dois lados. Para aquele que é apocalíptico e para aquele que é esperançoso.

Pra concluir, fiquei pensando no que significa de verdade uma doação. Queria poder contribuir. Essa é uma palavra tão usada nessa época. Consigo doar cestas, roupas, dinheiro e isso pode não ter nenhum valor. O valor está quando nós estamos no que fazemos. Por isso, resolvi escrever esse artigo. Quando escrevo, sendo bom ou ruim o resultado final, estou totalmente inserida naquele contexto. Sou também o texto. Espero que com essas linhas tenha conseguido inspirar você a ter um olhar mais acolhedor diante da vida. Esteja na vida. Faça parte dela. Contribua com o que você puder. Sempre há algo em nós que pode servir para o outro. Onde realmente estivermos, está a nossa possibilidade de contribuição. Esteja ainda em 2018. Esteja infinitamente.

Autora: Luciana Vicente