“A Parábola do Fariseu e do Publicano aponta nossa soberba, nosso orgulho”, diz palestrante

21/01/2018 19h39

"A Parábola do Fariseu e do Publicano tem o objetivo de nos mostrar quanto o homem ainda está longe da evolução espiritual e moral, pois ainda não está livre dos vícios, soberba, orgulho, arrogância e egoísmo". Esse foi o tom da palestra ministrada na noite deste sábado (20) pela expositora Maria Tulia Bertoni, durante a comemoração dos 39 anos de fundação do Centro Espírita Bezerra de Menezes, em Dourados. Maria Tulia Bertoni, ex-presidente da Federação Espírita de Mato Grosso do Sul (FEMS) e que hoje integra a Área de Estudo do Espiritismo, percorreu essa semana algumas cidades da região Sul do Estado ministrando palestras, sendo convidada para Dourados pela diretoria da Bezerra de Menezes e pela URE (União Regional Espírita), em função das comemorações de aniversário da casa.

Ela explicou que a parábola, tema de sua palestra, é uma das mais importantes e profundas que integram os ensinamentos de Jesus. Ela está em Lucas (Lucas 18:9-14). Nesta reflexão, a parábola tem o objetivo de atingir alguns homens que "confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros". A parábola mostra a história de dois tipos de homens diferentes, que em um mesmo dia tiveram um mesmo pensamento, que foi o de ir até o templo fazer orações. Jesus faz um contraste entre a oração realizada pelo fariseu, que era um religioso da época e a realizada por um publicano, que era um cobrador de impostos e, por esse fato, era de um grupo muito odiado pelas pessoas e até considerado pecador da pior qualidade.

Em síntese, ela explica que a religiosidade não significa que agradamos a Deus. Essa parábola mostra claramente que a religiosidade que ostentamos em nossa vida não significa nada para Deus se não brotar de um coração sincero e se não for de acordo com a vontade Dele. "Observe que o fariseu e o publicano tiveram atitudes de religiosos, pois estavam buscando a Deus em oração, porém, o fariseu, o mais religioso dos dois, é reprovado, pois sua religiosidade – e oração – eram vazias. O publicano não era considerado um religioso, mas tinha um coração que agradava a Deus", observa.

O orgulho religioso mata nossa vida com Deus. Ter uma visão bíblica de si mesmo é a chave para agradarmos a Deus. O publicano, apesar de não ser um atuante religioso, foi até a presença de Deus com uma visão bíblica de si mesmo e de sua situação corrompida de pecador. Ao contrário do fariseu, de cabeça baixa, batia no peito, clamando pela misericórdia de Deus sobre sua vida. Esse homem mostrou verdadeiro arrependimento e humildade diante da presença santa e gloriosa de Deus. Por isso, Jesus disse que ele foi justificado para sua casa, afinal, agradara a Deus com um coração verdadeiramente religioso.

Em outras palavras a parábola também subtende que "nem tudo que parece é". O ensino da parábola se torna muito profundo quando destrói os julgamentos que as pessoas fazem baseadas na aparência das pessoas. O fariseu aparentemente era justo e visto com alta consideração por muitos, mas seu coração hipócrita estava distante de Deus. Ele vivia sob uma capa de hipocrisia, sustentando algo que não vivia de verdade. Já o publicano era visto como o pior dos pecadores, e alguns nem mesmo aceitavam a sua presença buscando a Deus, considerando-o impuro demais para ter "conserto".

Para finalizar a palestra, Maria Tulia lembrou que nosso processo evolutivo marcha horizontalmente, ou seja, em termos de estudos doutrinários. "Devemos estudar até o fim da vida em busca do conhecimento", diz. Nosso processo evolutivo também caminha verticalmente. Neste caso, torna-se inútil apenas buscar conhecimentos e estudar valores morais, devemos vivenciar, colocar em prática o que aprendemos. Para ela, devemos nos questionar e nos perguntar sempre: Será que vivemos ainda com o espírito fariseu?.

No final da palestra os presentes foram convidados pela presidente do Centro Espírita Bezerra de Menezes, Elisabete Ferreira Guimarães Gomes, para um coquetel, encerrando assim as comemorações de aniversário da entidade. Também esteve presente a coordenadora da URE, Jovina Nevoleti Correia.

Por: Marli Lange